Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2009
PARA OS QUE NASCERAM ANTES DO ANO DA GRAÇA DE 1986

Nasceste antes de 1986?


Então lê isto...
Se não... lê na mesma....


Esta merece!!!!!


Deliciem-se...


Nascidos antes de 1986.
De acordo com os reguladores e burocratas de hoje, todos nós que nascemos nos anos 60, 70 e princípios de 80, não devíamos ter sobrevivido até hoje, porque as nossas caminhas de bebé eram pintadas com cores bonitas,em tinta à base de chumbo que nós muitas vezes lambíamos e mordíamos.

Não tínhamos frascos de medicamentos com tampas 'à prova de crianças', ou fechos nos armários e podíamos brincar com as panelas.

Quando andávamos de bicicleta, não usávamos capacetes.

Quando éramos pequenos viajávamos em carros sem cintos e airbags, viajar á frente era um bónus.

Bebíamos água da mangueira do jardim e não da garrafa e sabia bem.

Comíamos batatas fritas, pão com manteiga e bebíamos gasosa com açúcar, mas nunca engordávamos porque estávamos sempre a brincar lá fora.

Partilhávamos garrafas e copos com os amigos e nunca morremos disso.

Passávamos horas a fazer carrinhos de rolamentos e depois andávamos a grande velocidade pelo monte abaixo, para só depois nos lembrarmos que esquecemos de montar uns travões.

Depois de acabarmos num silvado aprendíamos.

Saíamos de casa de manhã e brincávamos o dia todo, desde que estivéssemos em casa antes de escurecer.

Estávamos incontactáveis e ninguém se importava com isso.

Não tínhamos Play Station, X Box.

Nada de 40 canais de televisão, filmes de vídeo, home cinema, telemóveis, computadores, DVD, Chat na Internet.

Tínhamos amigos - se os quiséssemos encontrar íamos á rua.

Jogávamos ao elástico e à barra e a bola até doía!

Caíamos das árvores, cortávamo-nos, e até partíamos ossos mas sempre sem processos em tribunal.

Havia lutas com punhos mas sem sermos processados.

Batíamos ás portas de vizinhos e fugíamos e tínhamos mesmo medo de sermos apanhados.

Íamos a pé para casa dos amigos.

Acreditem ou não íamos a pé para a escola;

Não esperávamos que a mamã ou o papá nos levassem.

Criávamos jogos com paus e bolas.

Se infringíssemos a lei era impensável os nossos pais nos safarem.

Eles estavam do lado da lei.

Esta geração produziu os melhores inventores e desenrascados de sempre.

Os últimos 50 anos têm sido uma explosão de inovação e ideias novas.

Tínhamos liberdade, fracasso, sucesso e responsabilidade e aprendemos a lidar com tudo.


És um deles?


Parabéns!


Passa esta mensagem a outros que tiveram a sorte de crescer como verdadeiras crianças, antes dos advogados e governos regularem as nossas vidas, 'para nosso bem'.


Para todos os outros que não têm a idade suficiente , pensei que gostassem de ler acerca de nós.

Isto, meus amigos é surpreendentemente medonho... E  talvez ponha um sorriso nos vossos lábios.

A maioria dos estudantes que estão hoje nas universidades nasceu em 1986, ou depois. Chamam-se jovens.

Nunca ouviram 'we are the world' e uptown girl conhecem de westlife e não de Billy Joel.

Nunca ouviram falar de Rick Astley, Banarama ou Belinda Carlisle.

Para eles sempre houve uma só Alemanha e um só Vietname.

A SIDA sempre existiu.

Os CD's sempre existiram.

O Michael Jackson sempre foi branco.

Para eles o John Travolta sempre foi redondo e não conseguem imaginar que aquele gordo tivesse sido um deus da dança.

Acreditam que Missão impossível e Anjos de Charlie, são filmes do ano passado.

Não conseguem imaginar a vida sem computadores.

Não acreditam que houve televisão a preto e branco.

Agora vamos ver se estamos a ficar velhos:
1.    Entendes o que está escrito acima e sorris.
2.    Precisas de dormir mais depois de uma noitada.
3.    Os teus amigos estão casados ou a casar.
4.    Surpreende-te ver crianças tão á vontade com computadores.
5.    Abanas a cabeça ao ver adolescentes com telemóveis.
6.    Lembras-te da Gabriela (a primeira vez).
7.    Encontras amigos e falas dos bons velhos tempos.
8.    Vais encaminhar este e-mail para outros amigos porque achas que vão gostar.

SIM ESTÁS A FICAR VELHO heheheh , mas tivemos uma infância do caraças



publicado por joselessa às 18:58
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VALE A PENA VER O PORTAL ABAIXO...O DA TRANSPARÊNCIA.

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Desajustes Directos em Portugal


Portugal
 , País de grandes tradições e brandos costumes... pelo menos é que muitos pensam ser verdade... até abrirem os olhos.

Agora, expliquem-me, porque eu devo estar a ver mal, como é que se justifica:

1)
gastar mais de 10.000,00 euros num GPS   para um instituto público - quando nos dizem que não há dinheiro para baixar as propinas aos alunos.


2) Aquisição de:1 armário persiana; 2 mesas de computador; 3 cadeiras c/rodízios, braços e costas altas - pela módica quantia de
97.560,00 EUROS  (!!!)


3) Em Vale de Cambra  , vai-se mais longe... e se pensam que o Ferrari do Cristiano Ronaldo é caro, esperem para ver
quanto custa um autocarro de 16 lugares para as crianças  : 2.922.000,00 €  
É isso mesmo: quase 3 milhões de euros???


4) No Alentejo  , as reparações de fotocopiadoras também não ficam baratas:
Reparação de 2 Fotocopiadores WorkCentre Pró 412 e Fotocopiador WorkCentre PE 16 do Centro de Saúde de Portel:
45.144,00 €  


5) Ao menos em Alcobaça  , a felicidade e alegria as crianças fala mais alto:
8.849,60€ para a Concentra   em brinquedos para os filhos dos funcionários da câmara!
Crianças... se não receberam uma Nintendo Wii no Natal, reclamem ao Pai Natal, porque alguém vos atrofiou o esquema!


6) Mas voltemos ao Alentejo, onde - por uns meros 375.600,00 Euros se podem adquirir:  "
 14 módulos de 3 cadeiras em viga e 10 módulos de 2 cadeiras em viga  "

Ora... 14x3 + 10x2 =  62 cadeiras... a 375.600,00 euros dá um custo de...  6.058,00 Euros por cadeira!  
Mas, pensando bem, num país onde quem precisa de ir a um hospital passa mais tempo sentado à espera do que a ser atendido - talvez justifique investir estes montantes no conforto dos utentes...


7) Em Ílhavo  , a informática também está cara,
3 computadores e mais uns acessórios custam 380.666,00 €  
Sem dúvida, uns supercomputadores para a Câmara Municipal conseguir descobrir onde andam a estourar o orçamento.


8) Falando em informática, se se interrogam sobre o facto da Microsoft ser tão amiga do nosso País, e de como o Bill Gates é/era o homem mais rico do mundo... é fácil quando se olham para as contas:
Renovação do licenciamento do software Microsoft: 14.360.063,00 €  
Já diz o ditado popular: Dezena de milhão a dezena de milhão, enche a Microsoft o papo!  
(Já agora, isto dava para quantas reformas de pessoas que trabalharam uma vida inteira?)


9) Mas, para acabar em pleno, cagar na capital fica caro meus amigos! A Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa gastou
5.806,08 € em 9072 rolos de papel higiénico  !
Ora, uma pesquisa rápida pela net revelou-me que no Jumbo facilmente encontro rolos de papel higiénico (de folha dupla, pois claro! - pois não queremos tratar indignamente os rabos dos nossos futuros doutores) por cerca de 0,16 Euros a unidade...
Mas na Faculdade de Letras, aparentemente isso não é suficiente, e o melhor que conseguiram foi um preço de 0,64 Euros a unidade!  
É "apenas" quatro vezes mais do que qualquer consumidor consegue comprar - e sem sequer pensarmos no factor de "descontos" para tais quantidades industriais.
 

 


Num País minimamente decente, eu deveria poder exigir que me devolvessem o valor pago em excesso, não?
Mandava o link para a Faculdade de Letras de Lisboa, e exigia que me devolvessem os 4.000 e tal euros pagos a mais. (Se comprassem no Jumbo, teriam pago apenas 1.451 euros pelo mesmo número de rolos de papel higiénico.)


Ó MEUS AMIGOS.... como é que é possível justificarem estas situações?
Que, como se pode imaginar, não são as únicas. Se
continuasse a pesquisar   nunca mais parava - como por exemplo, os mais de 650 mil euros gastos em vinho tinto e branco   em Loures. Leitores de Loures, não têm por aí nada onde estes 650 mil euros fossem melhor empregues???


É preciso ser doutor, ou engenheiro, ou ministro, ou criar uma comissão de inquérito, para perceber como o dinheiro dos nossos impostos anda a ser desperdiçado?
Isto até me deixa doente... é mesmo deitar o dinheiro pela retrete abaixo (literalmente, no caso da Faculdade de Letras de Lisboa!)


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publicado por joselessa às 18:51
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Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2009
O PROMETIDO É DEVIDO...

CHARADA DE RUI VELOSO NOS GATOS FEDORENTOS...É DE VER OU QUEM JÁ CONHECE PODE VOLTAR A VER...
 

 

 

http://mobilizacaoeunidadedosprofessores.blogspot.com/2009/02/o-prometido-e-devido-sr-engenheiro.html



publicado por joselessa às 11:25
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SAUDADE


 

SAUDADE

Médico cancerologista, já calejado com longos 29 anos de atuação
profissional, com toda vivencia e experiência que o exercício da
medicina
nos traz, posso afirmar que cresci e me modifiquei com os dramas
vivenciados
pelos meus pacientes.

Dizem que a dor é quem ensina a gemer. Não conhecemos nossa verdadeira
dimensão, até que, pegos pela adversidade, descobrimos que somos
capazes de
ir muito mais além. Descobrimos uma força mágica que nos ergue, nos
anima, e
não raro, nos descobrimos confortando aqueles que vieram para nos
confortar.

Um dia, um anjo passou por mim...

No início da minha vida profissional, senti-me atraído em tratar
crianças,
me entusiasmei com a oncologia infantil. Tinha, e tenho ainda hoje, um
carinho muito grande por crianças. Elas nos enternecem e nos
surpreendem
como suas maneiras simples e diretas de ver o mundo, sem meias
verdades.

Nós médicos somos treinados para nos sentirmos "deuses". Só que não o
somos!
Não acho o sentimento de onipotência de todo ruim, se bem dosado. É
este
sentimento que nos impulsiona, que nos ajuda a vencer desafios, a se
rebelar
contra a morte e a tentar ir sempre mais além. Se mal dosado, porém,
este
sentimento será de arrogância e prepotência, o que não é bom.

Quando perdemos um paciente, voltamos à planície, experimentamos o
fracasso
e os limites que a ciência nos impõe e entendemos que não somos
deuses.
Somos forçados a reconhecer nossos limites!

Recordo-me com emoção do Hospital do Câncer de Pernambuco, onde dei
meus
primeiros passos como profissional. Nesse hospital, comecei a
freqüentar a
enfermaria infantil, e a me apaixonar pela oncopediatria. Mas também
comecei
a vivenciar os dramas dos meus pacientes, particularmente os das
crianças,
que via como vítimas inocentes desta terrível doença que é o câncer.

Com o nascimento da minha primeira filha, comecei a me acovardar ao
ver o
sofrimento destas crianças. Até o dia em que um anjo passou por mim.

Meu anjo veio na forma de uma criança já com 11 anos, calejada, porém
por 2
longos anos de tratamentos os mais diversos, hospitais,
exames,manipulações,
injeções, e todos os desconfortos trazidos pelos programas de
quimioterapias
e radioterapia.
Mas nunca vi meu anjo fraquejar. Já a vi chorar sim, muitas vezes,
mas não
via fraqueza em seu choro. Via medo em seus olhinhos algumas vezes, e
isto é
humano! Mas via confiança e determinação. Ela entregava o bracinho à
enfermeira, e com uma lágrima nos olhos dizia: faça tia, é preciso
para eu
ficar boa.
Um dia, cheguei ao hospital de manhã cedinho e encontrei meu anjo
sozinho no
quarto. Perguntei pela mãe. E comecei a ouvir uma resposta que ainda
hoje
não consigo contar sem vivenciar profunda emoção. Meu anjo
respondeu:

- Tio, disse-me ela, às vezes minha mãe sai do quarto para chorar
escondido
nos corredores. Quando eu morrer, acho que ela vai ficar com muita
saudade
de mim. Mas eu não tenho medo de morrer, tio. Eu não nasci para esta
vida!

Pensando no que a morte representava para crianças, que assistem seus
heróis
morrerem e ressuscitarem nos seriados e filmes, indaguei:

- E o que morte representa para você, minha querida?

- Olha tio, quando agente é pequena, às vezes, vamos dormir na cama do
nosso pai e no outro dia acordamos no nosso quarto, em nossa própria
cama
não é? (Lembrei minhas filhas, na época crianças de 6 e 2 anos,
costumavam
dormir no meu quarto e após dormirem eu procedia exatamente assim.)

É isso mesmo, e então?

- Vou explicar o que acontece, continuou ela: Quando nós dormimos,
nosso pai
vem e nos leva nos braços para o nosso quarto, para nossa cama, não
é?

- É isso mesmo querida, você é muito esperta!

- Olha tio, eu não nasci para esta vida! Um dia eu vou dormir e o meu
Pai
vem me buscar. Vou acordar na casa Dele, na minha vida verdadeira!

Fiquei "entupigaitado". Boquiaberto, não sabia o que dizer. Chocado
com o
pensamento deste anjinho, com a maturidade que o sofrimento acelerou,
com a
visão e grande espiritualidade desta criança, fiquei parado, sem
ação.

- E minha mãe vai ficar com muitas saudades minha, emendou ela.

Emocionado, travado na garganta, contendo uma lágrima e um soluço,
perguntei
ao meu anjo: - E o que saudade significa para você, minha querida?

- Não sabe não tio? Saudade é o amor que fica!

Hoje, aos 53 anos de idade, desafio qualquer um dar uma definição
melhor,
mais direta e mais simples para a palavra saudade: é o amor que fica!
Um anjo passou por mim...Foi enviado para me dizer que existe muito
mais
entre o céu e a terra, do que nos permitimos enxergar. Que geralmente,
absolutilizamos tudo que é relativo (carros novos, casas, roupas de
grife,
jóias) enquanto relativizamos a única coisa absoluta que temos, nossa
transcendência. Meu anjinho já se foi, há longos anos. Mas me deixou
uma
grande lição, vindo de alguém que jamais pensei, por ser criança e
portadora
de grave doença, e a quem nunca mais esqueci. Deixou uma lição que
ajudou a
melhorar a minha vida, a tentar ser mais humano e carinhoso com meus
doentes, a repensar meus valores. Hoje, quando a noite chega e o céu
está
limpo, vejo uma linda estrela a quem chamo "meu anjo, que brilha e
resplandece no céu. Imagino ser ela, fulgurante em sua nova e eterna
casa.
Obrigado anjinho, pela vida bonita que teve, pelas lições que
ensinastes, pela ajuda que me destes.Que bom que existem saudades! O
amor que
ficou é eterno.

Rogério Brandão

Médico oncologista clinico

RC Recife Boa Vista D4500

Cremepe 5758"

Não é preciso mostrar beleza aos cegos, nem dizer verdades aos
surdos, mas nunca minta a quem te escuta e nem decepcione aos olhos
de quem te admira!


*********
NÃO EXISTE ESPIRITUALIDADE SEM BOM HUMOR
 
 
NOTA - Uma amiga enviou-me e eu coloquei neste espaço e não faço nenhum comentário, cada um que leia e medite e se quiser comentar eu estarei atento.
 


publicado por joselessa às 11:10
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Sábado, 21 de Fevereiro de 2009
TENHAM VERGONHA NA CARA

 
 
 
 Pedro  Santos Guerreiro
 
O escandaloso negócio com Manuel Fino
 
psg@negocios.pt
 

 


 
Tornou-se um lugar-comum desta crise: este não é um tempo de ideologias, mas de acção. Mas há acções que, de tão escandalosas, nos deviam alertar para a ideologia que nunca caduca: a da decência e da vergonha na cara.
 
 
Tornou-se um lugar-comum desta crise: este não é um tempo de ideologias, mas de acção. Mas há acções que, de tão escandalosas, nos deviam alertar para a ideologia que nunca caduca: a da decência e da vergonha na cara. O que remete para o acordo da CGD com Manuel Fino, o encarecimento do crédito às empresas e a retórica das PME.

A estrutura accionista do BCP tornou-se uma Liga dos Últimos, somando grandes prejuízos e grandes dívidas, patrocinadas sobretudo pela CGD. Quem emprestou e quem pediu emprestado mediu mal o risco e começaram os incumprimentos. Uma hipótese era a CGD executar as dívidas e ficar com as acções dos clientes, o que a tornaria "dona" do BCP. A alternativa foi renegociar. Mas é estranho que, tendo a CGD todo o poder, tenha entregue a faca e o queijo ao esfomeado. Aceitou-se como garantia tudo e um par de botas, deram-se carências de capital e de juros (!) e assim se salvaram grandes fortunas falidas do País.

O caso roça o inacreditável no acordo entre a CGD e Manuel Fino, revelado por este jornal na segunda-feira: o empresário entregou quase 10% da Cimpor à CGD, mas as cláusulas leoninas foram a seu favor. A CGD pagou mais 25% do que as acções valem; não pode vender as acções durante três anos; e Fino pode recomprar as acções, o que significa que foi a CGD que ficou com o risco: se as acções desvalorizarem, perde; se valorizarem, Fino pode recomprá-las e ficar com o lucro. Não há dúvidas de que Manuel Fino fez um óptimo negócio e de que zelou pelos seus interesses. Assim como a CGD - zelou pelos interesses de Manuel Fino.

Tudo isto seria grave em qualquer circunstância, mas numa altura de crise é pior. A desigualdade entre grandes e pequenos empresários é gritante. E a protecção dos fracassos dos primeiros tapa a possibilidade de ascensão dos segundos.

Portugal tem poucos empresários grandes e ainda menos grandes empresários. Mas continuamos a tratar a economia como se fosse um feudo que os perpetua, sob o falso convencimento de que é preciso proteger "o que é nosso" quando se está a proteger apenas "o que é deles". Todo o discurso dos Centros de Decisão Nacional só serve para isso: manter no poder quem lá está, impedindo a concorrência e a regeneração do sistema. Mais: nem sequer é verdade que proteger empresas implica salvar os seus accionistas. E, pior, muitos desses empresários estão a devolver à sociedade prejuízos e dívidas.

As PME têm muito do que se queixar. Passaram a estar no centro do discurso político porque são uma espécie de classe média (e baixa) da economia: numerosas, tributadas e abstractas. Mas da retórica política à prática vai um salto: têm mais dificuldade de acesso ao crédito e recebem renovações com taxas de juro muito superiores ao que a conjuntura sugere. Há empresas viáveis que estão a receber cartas com revisões unilaterais para taxas superiores a 10%, o que é revoltante.

Quando o Estado cobriu a parada no BPN, estava a proteger o sistema. No BPP, protegeu os clientes (incluindo caixas agrícolas e organizações religiosas). Com os accionistas do BCP, não protege sequer quem cria riqueza, mas quem especulou com acções e se deu mal. Se este negócio não é escandaloso, os gestores de PME vão ali e já voltam. Ou, se calhar, já não voltam.
  
 

 



publicado por joselessa às 18:02
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Sábado, 14 de Fevereiro de 2009
À Espera dos Pais

A dama da alta sociedade costumava desfilar, em sua carruagem de luxo, pelas ruas de São Francisco, sob olhares de admiração e inveja.
 
Um dia, os jornais publicaram o falecimento de uma tia e ela, obedecendo às convenções sociais, teve que permanecer no lar por uma semana.
 
Indignada por ter que ficar sete dias dentro do enorme palácio, buscou o marido, então Governador do Estado, e esse a fez lembrar-se de que poderia passar os dias brincando com o filho.
 
Ela gostou da idéia. Adentrou a ala esquerda do palácio, que tinha sido liberada para o pequeno príncipe, que vivia rodeado por profissionais de diversas nacionalidades, a fim de lhe ensinarem idiomas e costumes de outros povos.
 
Quando o pequeno Leland avistou a mãe, exultou de felicidade e lhe perguntou por que ela estava ali, naquele dia e hora não habituais.
 
Ela lhe contou o motivo e ele, feliz, lhe perguntou quantas tias ainda restavam.
 
Leland estava ao piano tocando uma balada que aprendera com sua babá francesa.
 
A mãe, impressionada, ficou ouvindo, por alguns instantes, aquela balada que lhe pareceu um tanto melancólica.
 
Pediu ao filho que cantasse, ele cantou. Falou-lhe para que a traduzisse e ele a traduziu.
 
Era a história de um menino que era levado pela sua mãe todos os dias até à praia, de onde ficavam olhando o pai desaparecer na linha do horizonte, em seu barco pesqueiro.
 
Todos os dias a cena se repetia, até que um dia, o barco do pai não retornou.
 
A mãe conduziu o filho novamente à praia e lhe pediu que ficasse esperando, pois ela iria buscar o marido.
 
Adentrou no mar e o filho ficou esperando na praia, pelo pai e pela mãe, que jamais retornaram.
 
A balada comoveu a grande dama. Falou ao filho que era muito triste. Ele respondeu que cantava porque se identificava com o menino da praia.
 
A mãe não entendeu em que consistia a semelhança e retrucou ao filho:
 
Você tem tudo. Não lhe falta nada. Tem mãe e pai e é herdeiro de um dos homens mais importantes deste Estado.
 
Leland respondeu com melancolia: Mas o papai adentrou há muitos anos no mar dos negócios e nunca o posso ver.
 
Você o seguiu e eu fiquei aqui à espera de um retorno que nunca acontece. Como você pode perceber, minha história é muito semelhante à do menino solitário da praia.
 
Daquele dia em diante, a dama passou a conviver mais com o filho de onze anos a quem não conhecia e, por esse motivo, aprendeu a amá-lo.
 
A convivência estreita com a mãe trouxe a Leland um brilho novo. Por algum tempo a vida lhes permitiu desfrutar da alegria do afeto mútuo, das experiências vividas, um em companhia do outro.
 
Fizeram uma longa viagem de navio e Leland adoeceu. A mãe fez tudo o que podia para lhe salvar a vida, mas foi tudo em vão.
 
O navio retornou e Leland não pode mais contemplar a mãe com os olhos físicos.
 
Todavia, naquele breve tempo de convívio, o menino ensinou à mãe outros valores.
 
Ela construiu orfanatos e outras obras de assistência para a comunidade carente.
 
Leland não herdou a fortuna dos pais, mas a fortuna rende frutos até hoje, junto à sociedade daquele Estado. Dentre elas, a Universidade Stanford.
 
* * *
 
Não há motivo que justifique o abandono dos filhos por parte dos pais.
 
Não há filhos que aceitem, de boa vontade e em sã consciência, trocar o afeto dos pais por qualquer outro tesouro.
 
Pensemos nisso!

 



publicado por joselessa às 22:31
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RACISMO

«A situação que se segue aconteceu num voo da British Airways, entre Joanesburgo (África do Sul) e Londres.
Uma mulher (branca), de aproximadamente 50 anos, chegou ao seu lugar em classe económica. E viu que estava ao lado de um passageiro negro.
Visivelmente perturbada, chamou a comissária de bordo.  
 

-'Algum problema, minha senhora? ' - Perguntou a comissária.
-'Não vê? ' - Respondeu a senhora - 'Vocês colocaram-me ao lado de um negro. Não posso ficar aqui. Tem de me arranjar outro lugar. '
-'Por favor, acalme-se! '
- Disse a hospedeira -'Infelizmente, todos os lugares estão ocupados. Porém, vou ver se ainda temos algum disponível'.
A comissária afasta-se e volta alguns minutos depois.
'- Senhora, como eu disse, não há nenhum outro lugar livre em classe económica. Falei com o comandante e ele confirmou que não temos mais
nenhum lugar nem mesmo em classe económica. Temos apenas um lugar em primeira classe'.
E antes que a mulher fizesse algum comentário, a comissária continua:
'- Veja, não é comum que a nossa companhia permita que um passageiro da classe económica se sente na primeira classe. Porém, tendo em vista
as circunstâncias, o comandante pensa que seria escandaloso obrigar um passageiro a viajar ao lado de uma pessoa desagradável'.
E, dirigindo-se ao senhor negro, a comissária prosseguiu:
'- Portanto, senhor, caso queira, por favor pegue na sua bagagem de mão, pois reservamos para si um lugar em primeira classe...'
Todos os passageiros que, estupefactos assistiam à cena, começaram a aplaudir, alguns de pé.»

Se é contra o racismo, envie esta mensagem aos seus amigos, mas não a apague sem ter mandado pelo menos a uma pessoa. 
 
 
'O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons...' 
                                                                            Martin Luther King
 



 



publicado por joselessa às 22:27
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LIMÃO NO COPO - MUITO CUIDADO

 

Venho através desta informar de um desastre ocorrido infelizmente, em

minha família. Longe de ser uma daquelas correntes que só enchem nossa

caixa postal, este é um aviso para que não ocorra o mesmo sofrimento com

outras pessoas.

Viajei com meu irmão na passagem do ano para a famosa praia de

CAMBORIÚ-SC. No sábado fomos nos divertir em uma  casa noturna

chamada IBIZA onde havia muita gente bonita, ambiente aconchegante. Foi uma

noite super divertida..

No domingo de manhã meu irmão acordou com fortes dores no estômago,

febre alta e espasmos musculares.

De imediato levamos ao HOSPITAL SANTA INÊS em Balneário Camboriú.

Muitos exames e 04 dias de internamento depois, de início, eu suspeitava

que os médicos sabiam o que ele tinha, mas não queriam contar.

Falavam que, possivelmente, fosse uma Salmonella mas eu descartei a

possibilidade já que nossa alimentação havia sido somente em casa.

Meu irmão infelizmente veio a falecer e, como os médicos ainda

não haviam nos passado o diagnóstico, contactei meu advogado que  entrou em

contato com o Hospital.

Tivemos uma reunião diretamente com o Diretor do Hospital. Para nossa

surpresa o caso era o seguinte: as casas noturnas servem cervejas LONG NECK,

e muitas pessoas pedem para que seja colocado uma *FATIA DE LIMÃO* para um

'toque especial' (e porque não dizer mortal).

Decidi fazer umas pesquisas por conta própria, já que tenho um amigo

próximo, pesquisador da escola de biologia  Universidade Federal de Santa

Catarina. Desta forma, pude descobrir que, apesar de tudo estar sendo

abafado pelos fabricantes de cerveja, o problema, está nos limões fatiados

que não são utilizados  prontamente, e muitas vezes eles são fatiados antes

mesmo dos bares e restaurantes abrirem, durante a tarde.. Ácido cítrico do

limão 'velho' em ação com os conservantes estabilizantes excessivos

presentes na cerveja são um paraíso para micro organismos já existentes

naturalmente nas cerveja(Sacarovictus Coccus Cevabacillus ativus) se

tornando um veneno letal tipo draft.

O resultado é a produção de uma toxina altamente nociva ao nosso

organismo.. A sugestão para quem talvez não acredite nesta mensagem seria

pedir que o garçom fatie o limão NA HORA E NA SUA FRENTE, isso minimiza e

muito o risco de qualquer tipo de infecção...

Peço humildemente que divulguem este e-mail, nada trará meu irmão

novamente, mas muitas vidas poderão ser poupadas.

Nessa até refrigerante com a famosa fatia de limão, ou a cuba libre.

PROTEJAM-SE E PROTEJAM OUTRAS VIDAS!!!!!!!!!

LIMÃO NO COPO - avisem os filhos, amigos, irmãos, enfim todos.

Não guardem o limão depois de cortado, nem na geladeira adianta......

José Raimundo Reis

Instituto de Biologia - UNICAMP

Departamento de Imunologia

Tel: 3521 - 6264



publicado por joselessa às 22:04
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Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009
A REALIDADE PARA QUEM TEM OLHOS

 

 

Está bem... façamos de conta
 

 

 ( JN 9/2/09) assinado por Mário Crespo


Façamos de conta que nada aconteceu no Freeport. Que não houve invulgaridades no processo de licenciamento e que despachos ministeriais a três dias do fim de um governo são coisa normal. Que não houve tios e primos a falar para sobrinhas e sobrinhos e a referir montantes de milhões (contos, libras, euros?). Façamos de conta que a Universidade que licenciou José Sócrates não está fechada no meio de um caso de polícia com arguidos e tudo.
Façamos de conta que José Sócrates sabe mesmo falar Inglês. Façamos de conta que é de aceitar a tese do professor Freitas do Amaral de que, pelo que sabe, no Freeport está tudo bem e é em termos quid juris irrepreensível. Façamos de conta que aceitamos o mestrado em Gestão com que na mesma entrevista Freitas do Amaral distinguiu o primeiro-ministro e façamos de conta que não é absurdo colocá-lo numa das "melhores posições no Mundo" para enfrentar a crise devido aos prodígios académicos que Freitas do Amaral lhe reconheceu. Façamos de conta que, como o afirma o professor Correia de Campos, tudo isto não passa de uma invenção dos média. Façamos de conta que o "Magalhães" é a sério e que nunca houve alunos/figurantes contratados para encenar acções de propaganda do Governo sobre a educação. Façamos de conta que a OCDE se pronunciou sobre a educação em Portugal considerando-a do melhor que há no Mundo. Façamos de conta que Jorge Coelho nunca disse que "quem se mete com o PS leva". Façamos de conta que Augusto Santos Silva nunca disse que do que gostava mesmo era de "malhar na Direita" (acho que Klaus Barbie disse o mesmo da Esquerda). Façamos de conta que o director do Sol não declarou que teve pressões e ameaças de represálias económicas se publicasse reportagens sobre o Freeport. Façamos de conta que o ministro da Presidência Pedro Silva Pereira não me telefonou a tentar saber por "onde é que eu ia começar" a entrevista que lhe fiz sobre o Freeport e não me voltou a telefonar pouco antes da entrevista a dizer que queria ser tratado por ministro e sem confianças de natureza pessoal. Façamos de conta que Edmundo Pedro não está preocupado com a "falta de liberdade". E Manuel Alegre também. Façamos de conta que não é infinitamente ridículo e perverso comparar o Caso Freeport ao Caso Dreyfus. Façamos de conta que não aconteceu nada com o professor Charrua e que não houve indagações da Polícia antes de manifestações legais de professores. Façamos de conta que é normal a sequência de entrevistas do Ministério Público e são normais e de boa prática democrática as declarações do procurador-geral da República. Façamos de conta que não há SIS. Façamos de conta que o presidente da República não chamou o PGR sobre o Freeport e quando disse que isto era assunto de Estado não queria dizer nada disso. Façamos de conta que esta democracia está a funcionar e votemos. Votemos, já que temos a valsa começada, e o nada há-de acabar-se como todas as coisas. Votemos Chaves, Mugabe, Castro, Eduardo dos Santos, Kabila ou o que quer que seja. Votemos por unanimidade porque de facto não interessa. A continuar assim, é só a fazer de conta que votamos.



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Segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009
ALEXANDRE O´NEILL

Que quis eu da poesia? Que quis ela de mim? Não sei bem. Mas há uma palavra francesa com a qual posso perfeitamente exprimir o rompante mais presente em tudo o que escrevo: dégonfler. Em português, traduzi-la-ia por desimportantizar, ou em certos momentos, por aliviar, aliviar os outros, e a mim primeiro, da importância que julgamos ter. Só aliviados podemos tirar o ombro da ombreira e partir fraternalmente, ombro a ombro, para melhores dias, que o mesmo é dizer, para dias mais verdadeiros. É pouco como projecto? Em todo o caso, é o meu. O que vou deixando escrito, ora me desgosta, enjoa até, ora me encanta. Acontece certamente o mesmo aos outros poetas, tenham estatuto ou não. Mas comigo, talvez essa oscilação se dê com mais frequência. É que a invenção atroz a que se chama o dia-a-dia, este nosso dia-a-dia, espreita de perto tudo o que faço. É o preço que tenho pago para o esconjurar, pelo menos nas suas formas mais gordas e flácidas.”


 

Estas palavras ditas pelo autor na abertura do disco gravado em 1972, que acompanhava a edição do livro de poemas Entre a Cortina e a Vidraça, definem bem a atitude literária de Alexandre O’Neill – um poeta a quem repugnavam palavras como carreira, ou poses de “empolamento” características do meio literário, “certa importanticidade sumamente ridícula” de muitos escritores. A postura de desdém irónico perante a instituição literária não é senão a outra face da moeda de uma escrita poética fundamentada na recusa de qualquer misticismo, transcendência ou hermetismo tradicional, todo ocupado no tricot das palavras ou no fazer “bonito”. As palavras são “animais doentes”: a consciência trágica do desgaste da linguagem, do peso que o tempo veio acumulando sobre as palavras, transforma-a O’Neill ironicamente em jogo – tudo é reconstruído, parodiado e reaproveitado: calão, idiotismos, entoações. A representação exemplar do peso histórico da linguagem é, sem dúvida, o lugar-comum – a sua fonte predilecta de desconstrução. Neste sentido, é uma poesia do quotidiano, o que não equivale a dizer que é uma poesia realista strictu sensu. Talvez se lhe possa pôr o rótulo de realismo subversivo, um realismo transtornado por um olhar alucinado simultaneamente por Cesário Verde e pela breve mas fortíssima experiência surrealista.


 

“Sou parecidíssimo com a minha poesia. Mesmo no dia-a-dia, no próprio trabalho. Entre a minha expressão coloquial e a minha expressão poética não há distância. A diferença será de intensidade, ou ao que se pode chamar intensidade.” O que O’Neill não revela, nesta entrevista ao jornal A Capital (2/5/1968), é qual das duas considera mais intensa: se a poesia, se a vida.


 

A sua vida, escreveu ele em 1983 (A Capital), “lisa, aplastada, chata como tem transcorrido, só pode ser inventada. E, seguramente, foi assim que eu passei a vida: a inventá-la.” Como era seu costume e gosto, desconversava. A vida de Alexandre O’Neill, se não profusa em bizarrias ou reviravoltas extravagantes, não foi lisa e chata quando a olhamos de fora. Utilizando uma figura de estilo que parece corresponder à sua forma mental, o oximoro – atentem-se em vários títulos da sua obra poética –, foi uma espécie de vidinha muitíssimo intensa, de tal forma que acabou cedo: aos sessenta e um anos, Alexandre O’Neill morreu na sequência de um acidente vascular cerebral. “Fiz do corpo alavanca sem pensar no futuro”, admitiu cerca de um ano antes de morrer.


 

Assinava O’Neill, o apelido que já seu pai usara, herdado de um antepassado irlandês fugido para Lisboa na década de 40 do século XVIII. O nome completo era Alexandre Manuel Vahia de Castro O’Neill de Bulhões. Nasceu em Lisboa, a 19 de Dezembro de 1924.


 

Da infância, conservou Alexandre breves recordações: um menino triste e fechado, a espreitar a Rua da Alegria dum quarto andar; as visitas breves e marcantes da avó Maria O’Neill, escritora, sufragista, feminista, vegetariana e dedicada à causa espírita. Nas férias, a família mudava-se para Amarante, terra natal da mãe, Maria da Glória, onde o jovem Alexandre conheceu Teixeira de Pascoaes.


 

Na adolescência começou a ler: além da avó escritora, a família era tradicionalmente bibliófila. O pai tinha uma vasta biblioteca – antes de enveredar pela profissão de bancário, José António O’Neill frequentara o curso de Belas Artes. Ainda estudante do Liceu, Alexandre iniciou-se na escrita. Em 1942, com dezassete anos, publicou os primeiros versos num jornal de Amarante, o Flor do Tâmega. Esta actividade não foi grandemente incentivada pela família. Apesar de ter recebido prémios literários no Colégio Valsassina, no final da adolescência Alexandre falhava nos estudos. Acabou por abandonar o Curso Geral dos Liceus: queria dedicar-se à vida marítima. Fez exames para a Escola Náutica, mas não prosseguiu estudos que, de resto, lhe eram impossibilitados pela miopia.


 

Em 1946, tornou-se escriturário, na Caixa de Previdência dos Profissionais do Comércio. Permaneceu neste emprego até 1952. Na verdade, apesar de nunca ter sido um escritor profissional, viveu sempre da sua escrita ou de trabalhos relacionados com livros – viria a ser copy de publicidade, cronista de jornal, encarregado de uma Biblioteca Itinerante da Gulbenkian, tradutor e assessor literário.


 

Data de 1947 o seu ardente envolvimento com o Surrealismo. Depois de um verão de activas experiências e leituras, o Grupo Surrealista de Lisboa nasce de um encontro na pastelaria Mexicana, em Outubro. Será constituído por Alexandre O’Neill, António Domingues, Fernando Azevedo, Vespeira, José-Augusto França, Mário Cesariny, Moniz Pereira e António Pedro.


 

Entre a casa deste último e o atelier na Avenida da Liberdade de que o Grupo dispunha decorrerão as actividades e reuniões durante o ano de 1948. As posições anti-neo-realistas eram frontais e provocatórias, tal como as atitudes contra o regime: em Abril, o Grupo Surrealista de Lisboa retira a sua colaboração da III Exposição Geral de Artes Plásticas, por recusar a censura prévia que a comissão organizadora decidira aceitar.


 

Em Janeiro de 1949 realiza-se a Exposição do Grupo Surrealista de Lisboa, do qual, entretanto já se tinham afastado Mário Cesariny e António Domingues. O'Neill expôs O Sr. e a Srª Mills em 1894, Instrução Primária, De Terça a Domingo, Looping-the-loop e A Linguagem. Na mesma altura, sai nos Cadernos Surrealistas o primeiro livro de Alexandre O'Neill, A Ampola Miraculosa, com o subtítulo “romance”.


 

Acompanhando o seu progressivo afastamento do Grupo Surrealista de Lisboa, o poeta publica em 1951 Tempo de Fantasmas, em cujo prefácio se demarca claramente do Surrealismo. Neste primeiro livro de poesia inclui o poema que o tornou célebre, “Um Adeus Português”, originado num episódio biográfico que o próprio viria a contar, muitos anos mais tarde. No início de 1950, estivera em Lisboa Nora Mitrani, enviada do Surrealismo francês para fazer uma conferência.


 

Conheceu O’Neill e apaixonaram-se. Meses mais tarde, querendo juntar-se-lhe em Paris, O’Neill foi chamado à PIDE e interrogado. Por pressão de uma pessoa da família, foi-lhe negado o passaporte. Coagido a ficar em Portugal, não voltaria a ver Nora Mitrani.


 


Não foi, de resto, a única vez que Alexandre O’Neill foi confrontado com a polícia política. Em 1953, esteve preso vinte e um dias no Estabelecimento Prisional de Caxias, por ter ido esperar Maria Lamas, regressada do Congresso Mundial da Paz em Viena. A partir desta data, passou a ser vigiado pela PIDE. No entanto, sendo um oposicionista, não militou em nenhum partido político, nem durante o Estado Novo, nem a seguir ao 25 de Abril – conhece-se-lhe uma breve ligação ao MUD juvenil, na altura em que abandona o Grupo Surrealista de Lisboa. A partir desta época, O’Neill foi-se distanciando de grupos ou tertúlias, demasiado irónico e cioso do seu individualismo para se envolver seriamente em qualquer militância partidária. O seu empenho era sobretudo cultural: apreciou o trabalho nas Bibliotecas Itinerantes porque ia “distribuir livros ao povo”; gostava de traduzir poetas nas suas crónicas jornalísticas, para os mostrar ao público em geral.


 

De facto, a partir de 1957, começou a escrever para os jornais, primeiro esporadicamente, depois, nas décadas seguintes, assinando colunas regulares no Diário de Lisboa, n’ A Capital e, nos anos 80, no JL, escrevendo indiferentemente prosa e poesia, que reeditava mais tarde em livro, à maneira dos folhetinistas do século XIX. Fez ainda parte da redacção da revista Almanaque (1959-61), publicação arrojada com grafismo de Sebastião Rodrigues onde colaboravam, entre outros, José Cardoso Pires, Luís de Sttau Monteiro, Augusto Abelaira e João Abel Manta.


 

Mas foi em 1958, com a edição de No Reino da Dinamarca, que Alexandre O’Neill se viu reconhecido como poeta. Tinha entretanto abandonado definitivamente a casa dos pais, casando com Noémia Delgado, de quem teve um filho em 1959, Alexandre. Nesta época, instalou-se no Príncipe Real, bairro lisboeta onde haveria de decorrer grande parte da sua vida, e que levaria para a sua escrita. Neste bairro, encontraria Pamela Ineichen, com quem manteve uma relação amorosa durante a década de 60. Mais tarde, em 1971, casará com Teresa Gouveia, mãe do seu segundo filho, Afonso, nascido em 1976.


 

Na década de 60, provavelmente a mais produtiva literariamente, foi publicando livros de poesia, antologias de outros poetas e traduções. Iniciou-se como copy de publicidade, actividade que se tornaria definitivamente o seu ganha-pão. Ficaram famosos no meio alguns slogans publicitários da sua autoria, e um houve que se converteu em provérbio: “Há mar e mar, há ir e voltar”.


 

Da sua atracção por outros meios de comunicação, que não a palavra escrita, é testemunho a letra do fado Gaivota destinada à voz de Amália, com música de Alain Oulman, tal como a colaboração, nos anos 70, em programas televisivos (fora, aliás, crítico de televisão sob o pseudónimo de A. Jazente), ou em guiões de filmes e em peças de teatro.


 

Mas a doença começava a atormentá-lo. Em 1976, sofre um ataque cardíaco, que o poeta admitiu dever-se à vida desregrada que sempre tinha sido a sua, e que, apesar de algum esforço em contrário, continuou a ser. No início dos anos 80, já divorciado de Teresa Gouveia, repartia o seu tempo entre a casa da Rua da Escola Politécnica e a vila de Constância, frequentemente com Laurinda Bom, sua companhia mais constante nos últimos anos. Em 1984, sofreu um acidente vascular cerebral, antecipatório daquele que, em Abril de 1986, o levaria ao internamento prolongado no hospital. Morreu em Lisboa a 21 de Agosto desse ano.


 



publicado por joselessa às 14:09
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