Terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009
A CONFIANÇA PERDIDA

Os economistas são unânimes: a crise financeira está para durar e os efeitos serão duros para os portugueses. Subida dos juros do crédito, aumento do desemprego e perda de poder de compra, são as consequências. O alívio só deverá chegar em 2010…

Os maus ventos que vieram dos Estados Unidos ‘varreram’ o planeta e os efeitos da tempestade deverão continuar a sentir-se, pelo menos, durante mais um ano.

 

“Numa perspectiva optimista, deverá durar mais um ano. Numa pessimista… muito mais”, admite Luís Mira Amaral, presidente da comissão executiva do Banco BIC Portugal. Nicolau Santos, economista e director-adjunto do Expresso, diz-nos que “a boa notícia é que em 2010 deveremos recuperar...”.

 

A razão de tudo isto, no entender de Luís Mira Amaral, foi o “comportamento irresponsável de alguns gestores de Wall Street”. Por causa deles “o mundo perdeu a confiança no sistema financeiro internacional. Esqueceram-se dramaticamente das suas responsabilidades e a regulação também falhou, bem como as agências de rating que ficaram igualmente muito ‘mal no retrato’”, diz o banqueiro.

 

E esta desconfiança é que gera a chamada ‘falta de liquidez’ no mercado monetário interbancário (onde os bancos emprestam dinheiro uns aos outros) e que faz com que os bancos centrais se tenham visto obrigados a injectar milhares de milhões de euros e de dólares no mercado na última semana.

 

Os efeitos desta crise vão sentir-se primeiro nas próprias instituições financeiras (falências e dificuldades financeiras) e nos investidores (grandes ou pequenos) que tenham apostado em produtos financeiros estruturados.

 

“Como investidor financeiro não tenho, neste momento, consciência se alguns dos produtos em que investi estão ou não ‘contaminados’, porque a maioria dos produtos financeiros hoje são muito complexos”, refere Luís Mira Amaral, salientando que “agora começo a preocupar-me muito mais com o que compro, com o que os bancos me propõem. Se os bancos de investimentos, que todos pensávamos que eram seguros, vão à falência…”

 

Mas os portugueses que têm créditos à habitação começaram já também a pagar um preço mais alto pela desconfiança que reina nos mercados financeiros. As taxas Euribor, nomeadamente o indexante a seis meses que é o mais utilizado em Portugal para este tipo de crédito, estão a bater recordes diários consecutivos há mais de dez dias.

 

“O crédito vai ficar mais caro e mais difícil para os portugueses, porque no mercado internacional os bancos desconfiam da capacidade dos outros bancos lhes pagarem e, por isso, não emprestam dinheiro uns aos outros. Por isso, a prestação da casa vai subir e quem quer crédito vai ter mais dificuldade em obtê-lo – e as condições serão mais duras”, prevê Nicolau Santos.

 

Uma previsão reforçada igualmente pelo presidente da comissão executiva do Banco BIC Portugal ao afirmar que “as taxas a pagar serão mais altas e por isso os jovens, por exemplo, vão ter mais dificuldade em comprar casa”.

 

Mas mesmo os (poucos) que não têm créditos não vão ficar imunes a esta crise. O director-adjunto do Expresso adianta que “a economia vai crescer bastante menos do que estava previsto (se for 1% já será muito bom...), pelo que mais algumas empresas poderão fechar as portas e outras, estrangeiras, abandonar o país. Consequência: o desemprego vai provavelmente aumentar”.

 

“A subida do número de desempregados vai limitar a capacidade reivindicativa dos outros trabalhadores. Consequência: os aumentos salariais serão muito pequenos ou mesmo nulos e as famílias perderão poder de compra”, salienta ainda Nicolau Santos.

 

Por seu lado, Luís Mira Amaral destaca a importância da oportuna (embora tardia…) intervenção das autoridades norte-americanas, por exemplo, no casa da seguradora AIG porque “com o número de Planos de Poupança Reforma que essa instituição detém, se entrasse em falência seria um drama social, tendo em conta a importância que esses complementos de reforma têm para os orçamentos dos reformados”.



publicado por joselessa às 10:34
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